Escreveu não leu, o pau comeu!

Seja bem vindo, aqui você vai encontrar crônicas, contos e poesias por mim escritos dentro de alguns anos. Coisas simples do cotidiano, reflexões, gastronomia e até delírios literarios. Sintam-se a vontade e aproveitem.
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domingo, 26 de setembro de 2010

A teoria dos peixes


Estudos recentes concluem que os peixes, especialmente os de aquários ou domésticos tem um controle de memória de no máximo três segundos e meio.Sendo assim, cada vez que um peixinho da uma volta em apenas metade do aquário, tudo o que ele vê parece novo porque  tem sempre a impressão de estar vendo tudo pela primeira vez.
A cada três segundos e meio tudo é novidade, desconhecido e interessante como se nunca tivesse passado por ali antes. Isso também ocorre em relação aos outros peixes e habitantes do aquário.
Imagine passar sua vida toda em mais de mil lugares diferentes e ter conhecido muito mais de mil seres distintos e por fim você descobre que sempre viveu em um aquário domestico e limitado.E o que é pior: Reconhecer que todos aqueles que você conheceu são o seu irmão, seus pais e um navio de porcelana naufragado.
Primeira moral da história:
Isso que da dormir de olhos abertos como os peixes. Às vezes é preciso saber a hora de desligar a TV e ir dormir.
Mas o que seres humanos ocupados têm a ver com esta baboseira de memória dos peixes?
Simples, esta é a paixão (não confundir com peixão). Em 90% das vezes é assim:
Você se apaixona, fica bobo, maravilhado, ama a vida e de repente em algum momento infeliz do processo você finalmente passa a amar. Pobre do artista que o compreende, vive tentando obter-lo e o prega mas nunca o encontra: O amor.
O afeto humano está diretamente ligado com a curta e burra memória dos peixes, pois assim que estouramos nossas cabeças e corações com uma simples paixão, ao sairmos dela esquecemos tudo ou pelo menos a parte ruim. Ai vem o encantamento e voltamos a admirar o novo momento como se fosse a primeira vez que se apaixonou. Depois de ler estas palavras, com certeza você vai se sentir diferente toda vez que pular bêbado em uma piscina ou então vai parar de comer peixe.
Porem tudo foi ilusão... Você não chegou a tal ponto, foi só uma paixão passageira. O lado bom é que a paixão humana dura muito mais que três segundos e meio e sim algumas semanas, meses ou anos, o que para nós torna-se bem mais doloroso. Talvez por esse motivo os peixes não sofram do coração ou enchem a cara, do contrario beberiam um copo e três segundos e meio depois não saberiam dizer o que é álcool ou para que ele serve.
Os peixes sim acreditam no que vêem. Mas em que eles acreditam? Muitos humanos acreditam em suas famílias, mas alguém acredita em um navio de porcelana naufragado? Muito menos em um baú de plástico aberto e vazio. Conchas sem perolas?
Eis a solução: Transformar os capitalistas em peixes.
Segunda moral da história: Não mantenha aquários em casa de forma alguma.
Peixes de aquário. É fascinante a maneira com que estes seres lhe dão com o tédio e a monotonia de suas vidas molhadas. Em boa parte de nossas vidas prezamos por coisas secas e enxutas como toalhas, roupas, chão, sapatos e principalmente nossa cama e rosto. Porem para os peixes tudo foi, é e sempre será molhado. São os únicos que respiram o próprio excremento. E olha que ainda tem quem cante: “Quem dera ser um peixe...” Bom mesmo é poder ser um pássaro para sujar carros e estátuas impunemente.
Você já ouviu piadas do tipo: “Só bebo cerveja, não bebo água porque os peixes transam nela”.
Levando em conta a memória de três segundos e meio dos peixes, tente imaginar o tempo de duração do ato de reprodução deles. Pelo menos os peixes se livram dos telefonemas, mensagens e toques a cobrar tudo isso pela manhã.
Terceira e última moral da história:
O melhor lugar para se apaixonar é em uma canoa em um lago rodeado de muitos peixes.
Isso parece muito comum, mas pode ser que a energia de memória dos peixes façam você esquecer da estupidez de se apaixonar e finalmente use o lago para lavar  as roupas e tomar banho nu e sozinho.
Quem falou em pescar idéias?
Faço minhas as palavras do Romário: “É isso ai peixe!”.

Alaor Azambuja Filho não é formado em coisa alguma.